sábado, 15 de janeiro de 2011

Classificação na Libetadores 2011


Grupo A
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1U. San Martín31100303100
2Libertad31100211100
3San Luis0100112-10
4Once Caldas0100103-30
Grupo B
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1Grêmio31100303100
2Junior31100211100
3León de Huánuco0100112-10
4Oriente Petrolero0100103-30
Grupo C
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1América (MEX)31100202100
2Argentinos Juniors1101022033
2Fluminense1101022033
4Nacional (URU)0100102-20
Grupo D
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1Vélez Sarsfield31100303100
2Unión Española1101022033
2U. Católica1101022033
4Caracas0100103-30
Grupo E
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1Cerro Porteño31100523100
2Deportivo Táchira1101000033
2Santos1101000033
4Colo-Colo0100125-30
Grupo F
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1Jaguares31100202100
2Internacional1101011033
2Emelec1101011033
4Jorge Wilstermann0100102-20
Grupo G
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1Cruzeiro31100505100
2Deportes Tolima31100101100
3Guaraní0100101-10
4Estudiantes0100105-50
Grupo H
POSTIMEPGJVEDGPGCSG%
1Godoy Cruz31100211100
2Peñarol000000000
2Independiente000000000
4LDU0100112-10

Classificação no Brasileirão 2011

EM BREVE

Classificação do Carioca 2011

Carregando tabela de Central Brasileirão...
Tabela gerada por Central Brasileirão

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

HISTÓRIA - O time que preferiu morrer a perder

Por Bruno Rezende
FFC 1902 News


A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo.


Para compreender sua decisão, é necessário conhecer como chegaram a jogar aquela decisiva partida, e por que um simples encontro de futebol apresentou para eles o momento crucial de suas vidas.



Tudo começou em 19 de setembro de 1941, quando a cidade de Kiev (capital ucraniana) foi ocupada pelo exército nazista, e os homens de Hitler aplicaram um regime de castigo impiedoso e arrasaram com tudo. A cidade converteu-se num inferno controlado pelos nazistas, e durante os meses seguintes chegaram centenas de prisioneiros de guerra, que não tinham permissão para trabalhar nem viver nas casas, assim todos vagavam pelas ruas na mais absoluta indigência. Entre aqueles soldados doentes e desnutridos, estava Nikolai Trusevich, que tinha sido goleiro do Dinamo.

Josef Kordik, um padeiro alemão a quem os nazistas não perseguiam, precisamente por sua origem, era torcedor fanático do Dinamo. Num dia caminhava pela rua quando, surpreso, olhou um mendigo e de imediato se deu conta de que era seu ídolo: o gigante Trusevich.

Ainda que fosse ilegal, mediante artimanhas, o comerciante alemão enganou aos nazistas e contratou o goleiro para que trabalhasse em sua padaria. Sua ânsia por ajudá-lo foi valorizado pelo goleiro, que agradecia a possibilidade de se alimentar e dormir debaixo de um teto. Ao mesmo tempo, Kordik emocionava-se por ter feito amizade com a estrela de sua equipe.

Na convivência, as conversas sempre giravam em torno do futebol e do Dinamo, até que o padeiro teve uma idéia genial: encomendou a Trusevich que em lugar de trabalhar como ele, amassando pães, se dedicasse a buscar o resto de seus colegas. Não só continuaria lhe pagando, senão que juntos podiam salvar os outros jogadores.


O goleiro Trusevich

O arqueiro percorreu o que restara da cidade devastada dia e noite, e entre feridos e mendigos foi descobrindo, um a um, a seus amigos do Dinamo. Kordik deu trabalho a todos, se esforçando para que ninguém descobrisse a manobra. Trusevich encontrou também alguns rivais do campeonato russo, três jogadores da Lokomotiv, e também os resgatou. Em poucas semanas, a padaria escondia entre seus empregados uma equipe completa.

Reunidos pelo padeiro, os jogadores não demoraram em dar o seguinte passo, e decidiram, alentados por seu protetor, voltar a jogar. Era, além de escapar dos nazistas, a única que bem sabiam fazer. Muitos tinham perdido suas famílias nas mãos do exército de Hitler, e o futebol era a última sombra mantida de suas vidas anteriores.

Como o Dinamo estava enclausurado e proibido, deram um novo nome para aquela equipe. Assim nasceu o FC Start, que através de contatos alemães começou a desafiar a equipes de soldados inimigos e seleções formadas no III Reich.

Em sete de junho de 1942, jogaram sua primeira partida. Apesar de estarem famintos e cansados por terem trabalhado toda a noite, venceram por 7 a 2. Seu seguinte rival foi a equipe de uma guarnição húngara, ganharam de 6 a 2. Depois meteram 11 gols numa equipa romena. A coisa ficou séria quando em 17 de julho enfrentaram uma equipe do exército alemão e golearam por 6 a 2. Muitos nazistas começaram a ficar chateados pela crescente fama do grupo de empregados da padaria e buscaram uma equipe melhor para ganhar deles. Trouxeram da Hungria o MSG com a missão de derrotá-los, mas o FC Start goleou mais uma vez por 5 a 1, e mais tarde, ganhou de 3 a 2 na revanche.

Em seis de agosto, convencidos de sua superioridade, os alemães prepararam uma equipe com membros da Luftwaffe, o Flakelf, que era uma grande time, utilizado como instrumento de propaganda de Hitler. Os nazistas tinham resolvido buscar o melhor rival possível para acabar com o FC Start, que já gozava de enorme popularidade entre o sofrido povo refém dos nazistas. A surpresa foi grande, porque apesar da violência e falta de esportividade dos alemães, o Start venceu por 5 a 1.

Depois dessa escandalosa queda do time de Hitler, os alemães descobriram a manobra do padeiro. Assim, de Berlim chegou uma ordem de acabar com todos eles, inclusive com o padeiro, mas os hierarcas nazistas locais não se contentaram com isso. Não queriam que a última imagem dos russos fosse uma vitória, porque acreditavam que se fossem simplesmente assassinados não fariam nada mais que perpetuar a derrota alemã.

A superioridade da raça ariana, em particular no esporte, era uma obsessão para Hitler e os altos comandos. Por essa razão, antes de fuzilá-los, queriam derrotar o time em um jogo.

Com um clima tremendo de pressão e ameaças por todas as partes, anunciou-se a revanche para 9 de agosto, no repleto estádio Zenit. Antes do jogo, um oficial da SS entrou no vestiário e disse em russo:

- "Vou ser o juiz do jogo, respeitem as regras e saúdem com o braço levantado", exigindo que eles fizessem a saudação nazista.

Já no campo, os jogadores do Start (camisa vermelha e calção branco) levantaram o braço, mas no momento da saudação, levaram a mão ao peito e no lugar de dizer: - "Heil Hitler!", gritaram - "Fizculthura!", uma expressão soviética que proclamava a cultura física.

Time Alemão

Os alemães (camisa branca e calção negro) marcaram o primeiro gol, mas o Start chegou ao intervalo do segundo tempo ganhando por 2 a 1.

Receberam novas visitas ao vestiário, desta vez com armas e advertências claras e concretas:

- "Se vocês ganharem, não sai ninguém vivo". Ameaçou um outro oficial da SS. Os jogadores ficaram com muito medo e até propuseram-se a não voltar para o segundo tempo. Mas pensaram em suas famílias, nos crimes que foram cometidos, na gente sofrida que nas arquibancadas gritava desesperadamente por eles e decidiram, sim, jogar.

Deram um verdadeiro baile nos nazistas. E no final da partida, quando ganhavam por 5 a 3, o atacante Klimenko ficou cara a cara com o arqueiro alemão. Deu lhe um drible deixando o coitado estatelado no chão e ao ficar em frente a trave, quando todos esperavam o gol, deu meia volta e chutou a bola para o centro do campo. Foi um gesto de desprezo, de deboche, de superioridade total. O estádio veio abaixo.

Como toda Kiev poderia a vir falar da façanha, os nazistas deixaram que saíssem do campo como se nada tivesse ocorrido. Inclusive o Start jogou dias depois e goleou o Rukh por 8 a 0. Mas o final já estava traçado: depois dessa última partida, a Gestapo visitou a padaria.

O primeiro a morrer torturado em frente a todos os outros foi Kordik, o padeiro. Os demais presos foram enviados para os campos de concentração de Siretz. Ali mataram brutalmente a Kuzmenko, Klimenko e o arqueiro Trusevich, que morreu vestido com a camiseta do FC Start. Goncharenko e Sviridovsky, que não estavam na padaria naquele dia, foram os únicos que sobreviveram, escondidos, até a libertação de Kiev em novembro de 1943. O resto da equipe foi torturada até a morte.

Ainda hoje, os possuidores de entradas daquela partida têm direito a um assento gratuito no estádio do Dinamo de Kiev. Nas escadarias do clube, custodiado em forma permanente, conserva-se atualmente um monumento que saúda e recorda àqueles heróis do FC Start, os indomáveis prisioneiros de guerra do Exército Vermelho aos quais ninguém pôde derrotar durante uma dezena de históricas partidas, entre 1941 e 1942.

Foram todos mortos entre torturas e fuzilamentos, mas há uma lembrança, uma fotografia que, para os torcedores do Dinamo, vale mais que todas as jóias em conjunto do Kremlin. Ali figuram os nomes dos jogadores. Abaixo a única foto que se conserva da heróica equipe do Dinamo e o nome de seus jogadores.

Goncharenko e Sviridovsky, os únicos sobreviventes, junto ao monumento que recorda a seus colegas.

Na Ucrânia, os jogadores do FC Start hoje são heróis da pátria e seu exemplo de coragem é ensinado nos colégios. No estádio Zenit uma placa diz "Aos jogadores que morreram com a cabeça levantada ante o invasor nazista".


Poster propaganda da revanche.


Esta é a história da dramática "Partida da Morte". O cineasta John Huston inspirou-se neste fato real para rodar seu filme "Fuga para a vitória" (Escape to Victory) de 1982 que chamou muita atenção à época do lançamento porque dele participaram grandes nomes do cinema como Michael Caine, Sylvester Stallone e Max Von Sydow, mas muito mais pela participação de algumas estrelas do futebol, como Bobby Moore, Osvaldo Ardiles, Kazimierz Deyna e Pelé. No filme John Huston fez o que não pôde o destino: salvar os heróis.


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

CRÔNICA - O menino estava lá

Escrito por Mitchell Rosemberg   



Ele tinha 10/11 anos, era a geral do Maracanã, seu pai queria ir embora, mas o menino queria ficar. Era seu primeiro jogo no maior do mundo. Seu primeiro jogo vendo o Fluminense jogar uma final. Era o maior clássico do mundo. Era 1995. Em meio à euforia do submundo, veio o gol de escudo, sim de escudo, do artilheiro de faixa na cabeça. Eram quase 43 do segundo tempo, a minoria inteligente presente no maior do mundo fazia a festa, o menino olhava para seu pai, que havia visto o grande Fluminense dos anos 70 e 80. Choravam os dois. O menino não esquece até hoje.
Ele tinha 24 anos, era 2008. O menino estava lá. Ele viu o Fluminense quebrar tabus, matar gigantes. Ele viu o gol do Washington, ele não acreditava no gol, ele esperava pelo gol. Ele viu o mesmo artilheiro de faixa na cabeça dizer “Boca Juniors, prazer, Fluminense”. Ele viu a maior festa já feita por um clube no maior do mundo. E ele aprendeu que a dor da derrota, é muito maior que o sabor da vitória.
Ao digitar o texto, o menino relembra...
Ele tinha 11/12 anos, era 1996. Haja Champanhe.
Ele tinha 12/13 anos, era 1997. A maior das tristezas até então.
Ele tinha 13/14 anos, era 1998. Ele estava na estréia no maior do mundo, seu time jogava ali a primeira partida da Série B, o menino ganhara a sua primeira camisa oficial. Amarga derrota. Era final de ano, o menino então via seu time sucumbir à má administração, e cair consideravelmente para uma Séria C, que o menino sequer sabia que existia.
Ele tinha 14/15 anos, era 1999. Ele já trabalhava.  Foi a todos os jogos do Fluminense em casa nesse ano. Ele viu o professor de 1984. Ele viu a volta a Série B. Ele viu, ele estava lá.
Ele tinha 25 anos, era 2009. Eis que o fantasma da série B volta para a cabeça do menino. Ele não sabe mais o que fazer. Eis que a torcida resolve jogar e veste a camisa 12. O menino novamente estava lá. Calor de 40° e Fluminense x Palmeiras no maior do mundo, festa com mosaico, 60mil torcedores e um gol. Ele viu, ele estava lá.
Ainda em 2009, o mesmo fantasma de 2008 aparece no caminho do Fluminense. A mesma altitude, a mesma falha no planejamento e uma derrota de 5 a 1. Fluminense para baixo. Eis que 400 torcedores aparecem como uma multidão. Criam uma música “Time de Guerreiros”. Guerreiros eram mais os torcedores do que os jogadores. Mas como uma forma de passar toda nossa força, entoávamos então esse mantra. O menino viu no aeroporto. O menino estava lá.
Ano de 2010. O menino com 26 anos, novamente estará lá. Novamente ele verá. Porém antes do jogo, o menino não consegue levar sua vida normal.
O Fluminense simplesmente toma conta da vida dos seus torcedores. Não existe torcedor do Fluminense que é torcedor apenas por ser. Quem torce pro Fluminense é puro amor, puro sangue, puro vigor. É completamente inexplicável o que move a torcida do Fluminense. Não há números que indiquem o tamanho da nossa torcida. Os números não conseguem expressar a quantidade do amor que tem o torcedor.
O menino espera então, que em 2011 ele possa novamente dizer:
Quando o Fluminense foi TRI-Campeão Brasileiro. O menino viu, ele estava lá.

Mitchell Rosemberg